“13. Por isso, cingindo o vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo. 14. Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; 15. pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, 16. porque escrito está:
Sede santos, porque eu sou santo.”
“Sede santos, porque eu sou santo”. Provavelmente essa frase seja a mais conhecida neste pequeno trecho da Palavra. A primeira coisa que podemos pensar é sobre o quão alto e inalcançável é esse patamar: Ser santo como o próprio Deus! É impossível, de fato. Mas, se olharmos melhor e observarmos todo o contexto da Bíblia, percebemos de maneira muito clara que o que Deus espera de nós nesta vida não é a santidade em si, mas a busca por ela.
Após relembrar sobre as missões dadas a cada grupo de homens conforme o tempo do próprio Deus e sobre como essas missões, apesar de diferentes, convergem na esperança da glória a ser revelada um dia na eternidade, Pedro escreve orientações para a vida dos “dispersos”. Interessante é que ele não ignora em momento nenhum nossa natureza pecadora e imperfeita, mas nos lembra que por sermos “filhos da obediência” devemos buscar mudança de atitude quanto às paixões que tínhamos em tempos de ignorância. A partir do momento em que tomamos consciência do sacrifício de Jesus Cristo em nosso favor e da graça que, imerecidamente, é estendida à nós, não há mais espaço para os velhos hábitos e comportamentos que faziam parte da vida do nosso velho “eu”. Só há espaço para o processo longo, doloroso mas libertador da santificação. Busca por sermos cada dia mais parecidos com aquele que nos criou e salvou, mesmo sabendo que, neste mundo, nunca alcançaremos plenamente esse objetivo.
E é esse o motivo da dispersão dos santos: almas alcançadas que adquirem consciência do sacrifício feito em favor de si mesmas e, consequentemente, mudam o rumo de suas vidas saindo do caminho da morte, entrando no caminho da santificação que culmina não apenas em vida, mas vida eterna. De fato é impossível sermos santos como Deus, e é justamente por isso que se chama “graça”. Porque não merecemos, não conseguimos e só se torna possível através daquele que é, de fato, Santo.
Caroline Guidorizzi