(1) Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências, (2) desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação, (3) se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso.
Este trecho, de cara, nos remete ao final do capítulo anterior, onde somos exortados a amar verdadeiramente uns aos outros. E isso só é possível quando nos despojamos, ou seja, abandonamos de uma vez por todas o dolo, maldade, hipocrisia, inveja e maledicência praticadas por uns contra os outros, pois tais atitudes demonstram exatamente o contrário ao amor fraternal.
Uma vez abandonadas estas atitudes, precisamos nos revestir de novas. Mas como? Pedro nos dá uma valiosa dica: Assim como um recém-nascido deseja o leite, nós devemos desejar o leite espiritual. Desejar. Ansiar. Ter saudade de nos alimentarmos do genuíno leite espiritual, da pureza da palavra de Deus e de sua doutrina pois, se nascemos novamente na salvação, certamente, precisamos crescer nela (daí a necessidade de nos nutrirmos do genuíno alimento espiritual e não de fontes duvidosas).
Mas aqui há, também, um convite para uma autoanálise sobre nossas vivências na caminhada com o Senhor. Pedro diz: Despojem-se, revistam-se, alimentem-se, amem uns aos outros se é que vocês realmente já experimentaram da bondade do Senhor. E é fato que diariamente temos experiências que demonstram a bondade de Deus, que vão desde o fato de acordarmos pela manhã com ar nos pulmões às milhares de manifestações de misericórdia e graça de Deus. Experimentamos a bondade do Senhor ao vivermos a vida que Ele nos deu em sacrifício de amor. E, ainda assim, isso, muitas vezes, não é suficiente para nos levar a mudarmos de atitudes com nossos irmãos com quem peregrinamos neste mesmo caminho.
Pedro não nos oferece alternativas. Ele afirma: se vocês experimentaram a bondade do Senhor, sejam bons uns com os outros. E, claro, essa bondade que somos convidados a manifestar não vem de nós mesmos. É Deus, no processo de santificação, que gera em nós crescimento em graça e misericórdia e produz a capacidade para vivermos o amor fraterno mutuamente.
Amanda Carniel