Nos três versos anteriores, Pedro exortou os leitores a abandonarem os maus hábitos e desejarem o leite espiritual. Agora o convite é para se aproximarem de Deus. Pois, conforme são atraídos pelo Senhor e dEle se aproximam, são edificados como um ajuntamento espiritual, que Pedro compara a uma casa! O apóstolo se refere a Cristo como Pedra viva, o fundamento seguro e inabalável para esses que dele se aproximam. Os crentes, por sua vez, são pedras edificadas sobre Cristo, formando um templo espiritual. Neste, não há mais os sacrifícios do Antigo Testamento. Os sacrifícios dos cristãos são espirituais: seus corpos, almas, afetos, orações e louvores.
Mas nem o mais espiritual dos homens teria seu sacrifício aceito por Deus, senão por intermédio de Jesus Cristo. Pedro cita Isaías 28.16, onde Deus é mencionado reagrupando seu povo após o exílio. Diante do propósito da epístola, Pedro tinha motivos para trazer à tona essa passagem, a fim de mostrar que Deus é fiel com o seu povo, mesmo diante das dispersões, exílios e aflições.
Assim, para os que creem, Cristo é a Pedra preciosa que nos é concedida pelo Pai. Já para o descrente, essa Pedra é tropeço, ofensa e inadmissível, pois são demasiadamente apegados ao próprio ego, incapazes de reconhecer sua fragilidade, enamorados de si, em seus princípios e boas condutas, e julgam ser isso o intermediário para Deus aceitá-los. Mas não há boa obra que ganhe nosso favor diante dEle. Cristo, a Pedra e fundamento da igreja, é também o mediador eficaz para que nossos sacrifícios espirituais cheguem ao Pai.
Concluindo: a Igreja prevalecerá. Isso não significa que sejamos naturalmente fortes e resistentes; significa que esse edifício resiste à turbulência deste mundo porque Cristo é a nossa Pedra indestrutível. Ou seja, nossa resistência sinaliza nossa base forte. Cheguemo-nos, pois, a Cristo, e, assim, faremos parte do edifício construído por Deus, por intermédio de Cristo, e para a sua eterna glória.
Felipe Santos