(13) Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, (14) quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. (15) Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; (16) como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. (17) Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.
Vivemos dias conturbados, em que a sociedade passa por um movimento político radical. Os parâmetros da pós-modernidade definem esse movimento como Polarização, termo este derivado da física, para dizer que há uma alta concentração de cargas opostas, em extremos distintos. Assim é a nossa atualidade. Um meio totalmente polarizado e que exige escolhermos de qual lado ficaremos.
Neste trecho, Pedro continua a tratar com os irmãos da Dispersão acerca das condutas de uma pessoa transformada em todas e quaisquer circunstâncias. É enfatizado que um preço de sangue foi pago e que, agora, retornar aos velhos costumes seria andar para trás. A consciência de Cristo seria suficiente para guiá-los. Entretanto o apóstolo toca em um assunto um pouco delicado. De forma direta, pede àqueles irmãos que se sujeitem as autoridades da época. A fala do apóstolo, a primeiro momento, pode nos parecer um pouco favorável ao estado, pois é prudente lembrar que esses irmãos estavam dispersos, por conta da perseguição de Roma. Mas não, Pedro só está dando sequência à sua linha de raciocínio, pois entendia que todo governo debaixo do céu, era Deus que havia constituído, quer seja para o bem daquela nação, ou para a sua ruína. O caminho para a justiça, segundo ele, não é construído com rebeliões, retaliações e práticas de força bruta, mas sim um lugar que deve ser edificado com honra. Por mais que houvesse injustiças sociais, Pedro pede para que os irmãos não perdessem a postura cristã, e que até nestes momentos de sofrimento, o nome de Deus seria glorificado.
Por fim, vemos que o trecho em questão não se atém a dizer se o governo “A” ou “B” está correto. Independente da circunstância, Deus está cuidando de tudo, e é nisso que baseamos a nossa fé. Certamente nos entristeceremos pelas injustiças humanas, até porque vivemos numa sociedade caída pelo pecado, mas a nossa responsabilidade é exercer a prática do bem, pois só assim a voz da ignorância será calada.
João Pedro