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Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso; porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus. Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteado por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus.

Após dar orientações acerca do proceder diante de não crentes e autoridades, Pedro toca em outro tipo de relação interpessoal que, mesmo entre cristãos, constantemente é fonte de desavenças e murmuração: a do trabalhador e seu senhor.

Em qualquer roda de amigos ou colegas é extremamente comum que, em determinando momento da conversa, o assunto gire em torno das ações daqueles que estão hierarquicamente em posição superior a nós em nosso ambiente de trabalho. Na mesma frequência ouvimos, ou até mesmo contamos, experiências que mostram que essa relação é constantemente conflituosa e que, muitas vezes, nela existe um abuso de poder onde os mais diversos tipos de humilhação são colocados sobre os ombros daquele que possui menos poder na relação. E é exatamente sobre esse tipo de situação, tão ruim quanto comum, que Pedro fala neste trecho.

Se estamos diante de uma situação em que nosso chefe nos trata de maneira grosseira e injusta, nosso instinto natural seria o de rebater e nos defender, mas a orientação de Pedro é justamente a contrária. “Seja submisso se o seu chefe for bonzinho e se não for, também o seja”. Com um primeiro olhar nosso sentimento pode ser de impotência e, ao mesmo tempo, indignação, afinal somos ensinados a não aceitar que nos tratem de maneira injusta. Para nós é natural pensar assim, mas a lógica de Cristo não é a nossa lógica, antes é uma lógica graciosa, na qual o favor é estendido sem merecimento. Isso fica claro na continuação do texto em que Pedro diz que é grato que soframos injustamente motivados pela consciência que temos para com Deus, ou seja, a consciência de nos abster de termos tratamento justo aos nossos olhos para oferecermos a mesma graça que um dia nos foi estendida.

Não há glória nenhuma em aceitarmos consequências ruins que vêm após ações más da nossa parte, mas quando elas vem mesmo após procedermos bem, nesses momentos é que podemos ver, de fato, o viver de Cristo em nós.

Caroline Freire Guidorizzi