(8) Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, (9) não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança. (10) Pois quem quer amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem dolosamente; (11) aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la. (12) Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam males.
Desde o versículo 11 do capítulo 2, Pedro vem nos ensinando uma série de diretrizes sobre como devemos nos portar corretamente como cristãos, testemunhando a nossa fé nas mais diversas situações e funções que cumprimos dia a dia neste mundo. Mas até aqui ele estava se dirigindo a cristãos em situações específicas da vida; já agora, ele se volta aos cristãos indistintamente. Notem que Pedro escreve duas palavras interessantes logo em sua primeira sentença. A primeira é “finalmente”, o que indica que este trecho se trata de uma conclusão do assunto. A segunda palavra é “todos”, portanto tudo o que vier a seguir está descrito não mais para uma situação específica, mas para todos os cristãos.
Reafirmando o discurso do próprio Jesus no sermão do monte, Pedro lembra que nós, os eleitos de Deus, não podemos mais nos pautar pela aplicação errônea da lei “olho por olho, dente por dente”, pois ela servia apenas como limitante para que não houvesse injustiças. Devemos, isso sim, nos pautar pela graça: oferecendo a outra face, não pagando mal por mal ou injúria por injúria, porque fomos chamados para bendizer e, assim, receber bênção por herança. Certamente o mesmo Simão Pedro que cortou a orelha direita de Malco, servo do sumo sacerdote, aprendeu (e agora nos ensina) uma das mais valiosas lições do evangelho: não fomos chamados para retaliar quando somos perseguidos, mas a amar e orar por aqueles que nos perseguem.
Por fim, nos versículos 10 a 12, Pedro faz referência direta ao Salmo 34, e, por isso, fica clara a sua intenção de mostrar o motivo pelo qual devemos tentar ser minimamente bons: porque o nosso Deus é bom! Essa é a temática principal do Salmo escrito por Davi. Assim como sabemos que só amamos porque Ele nos amou primeiro, devemos almejar a bondade porque Ele é bom.
Felipe Seabra