Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? E, se é com dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador? Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.
Terminando o capítulo 4, Pedro aponta, nos versículos 17 e 18, a condição dos cristãos e ímpios em vista das provações. Ele observa que a casa de Deus, a Igreja, será julgada primeiro por meio das perseguições e das adversidades que irão provar a nossa fé, alertando-nos que o tempo do julgamento está próximo. E se com dificuldade os cristãos se salvam, o que dizer da situação dos ímpios em meio ao sofrimento?
Essas dificuldades, do ponto de vista humano, marcam a gravidade das provações e a improbabilidade dos justos a suportarem. Mas a justiça de Cristo e a eterna aliança de Deus tornam isso não só possível ao seu povo eleito, mas uma realidade certa, que, portanto, gera esperança!
Em amor ao seu povo, como um pai, Deus cuida de nós e nos disciplina em sua reta justiça, como diz Paulo em sua primeira carta aos coríntios: “Quando somos julgados, somos castigados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”.
E se começar por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? Esse é o principal ponto de Pedro neste trecho, o qual traz à mente outro, no livro do profeta Jeremias, capítulo 25: “Pois eis que na cidade que se chama pelo meu nome eu começo a castigar; e vós ficaríeis impunes?”.
Portanto, visto que sabemos que nossos sofrimentos acontecem pela vontade de Deus, para nosso bem, para nos corrigir a fim de não parecermos com o mundo, devemos confiar em Deus alegremente em meio aos sofrimentos, perseverando em fazer o bem, pois Deus é nosso fiel sustentador, e assim como está escrito: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”.
Letícia Oliveira