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Ileide – Camponesa e Lutadora Social
Assentamento 12 de Outubro/Vergel
Mogi Mirim (SP)
29 de outubro de 2018
Para Maria Ileíde Teixeira, moradora desde os primórdios do Acampamento e posteriormente Assentamento 12 de Outubro criado dentro do processo de Reforma Agrária no ano de 1996, diz que a terra é fundamental para a dignidade humana e é dela que tudo emana. Sua origem é camponesa, seu pai Geraldo era filho de africanos e sua mãe Ana, descendente de indígenas; foram retirados e expulsos de suas terras em que moravam e cultivavam no interior das Minas Gerais devido ao empreendimento de uma hidrelétrica. Dona Ileide nos relatou sobre como foi a sua participação junto ao movimento Sem Teto em Campinas (SP), antes da sua chegada ao Vergel. Essa sua vivência e experiência pela luta por moradia foi uma verdadeira escola, foi lá que efetivamente experenciou a prática da coletividade e o apoio mutuo entre as famílias trabalhadoras que se organizavam em torno dos movimentos populares que lutavam por moradia na região metropolitana de campinas (SP), antes de efetivamente se envolver com a luta pela terra no campo.
Outra questão trazida por Ileíde foi o seu envolvimento com a produção de alimentos naturais e livre de venenos e agrotóxicos que são produzidos em seu lote. Por outro lado, explica sobre as dificuldades cada vez mais intensas em relação a ausência de politicas públicas que ofereçam reais estruturas e que incentive a produção e consumo de alimentos naturais.
A trabalhadora rural Ileide é uma das fundadoras da AMA, uma Associação de Mulheres Agroecológicas que foi fundamental para pensar no processo de organização das mulheres do Assentamento na busca da produção de alimentos em uma perspectiva agroecológica. Além disso, durante o processo de coleta dessas narrativas, Ileíde relata inúmeras outras situações interessantes e importantes, sobretudo a questão da violência contra a mulher na zona rural e as opressões que ela vivência enquanto mulher, negra e indígena.