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Já alguma vez ficaste frustrado com alguém da tua equipa... e depois, se fores honesto contigo próprio, percebeste que a frustração na verdade era contigo?

Acontece mais vezes do que gostamos de admitir. E aqui está a verdade incómoda: quando não te conheces ou não te geres bem, acabas por projetar os teus próprios conflitos internos na equipa.

A confusão que custa caro

A maior parte das pessoas, quando ouve "autoliderança", pensa em produtividade. Em ser disciplinado. Em executar. Em dar o exemplo.

E isso não está errado, mas é profundamente incompleto. É como olhar para uma cadeira e só ver uma perna. A cadeira está lá, mas não te vai servir para nada.

Autoliderança não é ser o primeiro a chegar e o último a sair. Isso é trabalho. Autoliderança é outra coisa. É um trabalho interno profundo que exige clareza, alinhamento e disciplina emocional.

Os Quatro Pilares (e porque são uma cadeira, não quatro coisas separadas)

Neste episódio, apresento uma framework que me tem ajudado imenso: os Quatro Pilares da Autoliderança.

Pilar Físico - A base da energia. Como tratas o teu corpo, o teu sono, a tua alimentação. Muitos líderes vivem em estado de headline constante. Arrancam rápido mas ficam sem combustível a meio do caminho. Quando o corpo não está bem cuidado, todas as outras dimensões ficam comprometidas.

Pilar Mental - O diálogo interno e a clareza de prioridades. Quantas decisões já adiámos porque a nossa mente nos contou uma história de risco? "Não é o momento certo", "E se correr mal?". Tens 47 tabs abertas no browser da tua mente.

Pilar Emocional - Regularizar para liderar. Deixa-me repetir isto porque é importante: mais de 80% do teu cérebro funciona de forma inconsciente. A maior parte das tuas decisões não são racionais. São emocionais disfarçadas de lógica.

Pilar Espiritual - O propósito como bússola. Porquê acordas todos os dias? Para onde queres ir? O que te move quando tudo à tua volta parece desmoronar?

O equilíbrio dinâmico (não a perfeição)

Estes quatro pilares estão em constante interação. Quando um enfraquece, os outros são afetados. É um sistema. Não são quatro coisas separadas.

E o papel do líder não é manter tudo perfeito. Isso é impossível. O papel do líder é desenvolver consciência e estratégias para se reajustar.

Conto-te a história de um mentorado meu, vou-lhe chamar Miguel. Quando começámos a trabalhar juntos, dormia 5 horas por noite, vivia enterrado em trabalho, agenda controlada pelos clientes. Zero propósito.

Seis meses depois? Reduziu as horas de trabalho de 70 para 45 por semana. Aumentou a faturação em 20%. E o mais importante? Voltou a saber porquê acordava de manhã.

Como? Começou pelo físico. Blindou as horas de sono. Isso deu-lhe energia para trabalhar o mental. Criou blocos de tempo fixos para pensar. Isso deu-lhe clareza para trabalhar o emocional. E quando os três primeiros pilares estavam mais estáveis, o espiritual surgiu naturalmente.

E os teus quatro pilares?

Avalia cada pilar numa escala de 1 a 10. Sê honesto.

Se algum deles está abaixo de 6, esse é o teu ponto de partida. Não tentes trabalhar tudo ao mesmo tempo. Escolhe o pilar mais fraco e começa por aí.

Porque aqui está a verdade: autoliderança não é um destino. É um processo contínuo. É a capacidade de perceber quando estás desalinhado e de tomar medidas para voltar ao teu centro.

Só consegues ser o líder que desejas para os outros quando és, primeiro, o líder que precisas para ti próprio.

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