O episódio traz um dos nomes mais emblemáticos do vinho brasileiro: Adriano Miolo, herdeiro de uma tradição centenária e protagonista direto das transformações mais profundas da nossa vitivinicultura. Gravado dentro do Wine Locals Festival, o papo mergulha na história da família, na construção da Miolo como gigante nacional e na visão estratégica que está redesenhando o futuro do vinho brasileiro. É uma conversa sobre legado, coragem e reinvenção — tudo aquilo que move quem ama o vinho feito com identidade.
Ao longo do episódio, Adriano revisita suas primeiras memórias entre parreirais ainda em sistema de latada, conta como o sonho de “fazer vinho” virou realidade em meio a crises de venda de uva e revela bastidores importantes: a reconversão dos vinhedos, a chegada de Michel Rolland, a expansão para novos terroirs (Campanha, Vale do São Francisco, Argentina) e as escolhas técnicas que mudaram o padrão de qualidade no país. Ele também comenta o surgimento dos vinhos de inverno, o papel do enoturismo na formação de novos consumidores e como IPs e DOs estão educando o mercado.
No final, o episódio entrega algo raro: uma visão estratégica e honesta sobre para onde o vinho brasileiro precisa — e pode — caminhar. Adriano fala sobre internacionalização, exportações, novos comportamentos de consumo e a importância de enxergar o Brasil como um país com três grandes viticulturas e terroirs capazes de produzir de tudo, do espumante ao tinto de guarda. Um episódio para entender de verdade o vinho brasileiro e suas revoluções.
Destaques
🍇 Da infância nos vinhedos ao nascimento da Miolo moderna
Adriano relembra o início entre parreirais da família, ainda no sistema de latada, e como o sonho de produzir seu próprio vinho surgiu em meio às dificuldades na venda de uva. Uma história que mostra que a Miolo nasceu de necessidade, teimosia e visão de longo prazo.
🧬 Reconversão, tecnologia e a virada de qualidade
Ele explica como arrancaram 100% dos vinhedos antigos para replantar tudo em espaldeira — um movimento arriscado e impensável para a época. A chegada das mudas certificadas e o trabalho técnico com Michel Rolland elevaram o padrão dos vinhos brasileiros e “aceleraram 30 anos em 10”.
🌍 A expansão para novos terroirs: Campanha, Vale do São Francisco e Argentina
O grupo se lança em viticulturas completamente diferentes — do clima temperado ao tropical seco — para buscar consistência, diversidade e novos estilos. A ida ao Vale do São Francisco revela números impressionantes, como vinhedos com 40 anos que já produziram 80 safras.
🍾 Espumantes brasileiros conquistando a Argentina
Adriano revela a estratégia ousada de entrar no mercado argentino com espumante brasileiro — incluindo Terra Nova e Moscatel — e fala sobre como essa dobradinha pode reposicionar o Brasil nas Américas.
🚂 O papel do enoturismo na formação do consumidor
Da visita clássica no Vale ao Trem do Pampa e ao passeio de barco no Sobradinho, o grupo mira experiências que encantam e educam. Enoturismo, para Adriano, é a porta de entrada para o vinho brasileiro — e ferramenta essencial para gerar pertencimento.
📈 O novo consumidor brasileiro e o desafio da brasilidade
Mais crítico, mais informado e menos preso a preconceitos: Adriano descreve o perfil que começa a valorizar vinhos nacionais e explica por que a chave está em educar, aproximar e mostrar a diversidade real do país.
🔬 Os próximos passos: microvinificações e novas uvas
Com três grandes grupos climáticos e milhares de possibilidades, o Brasil entra na fase das microparcelas, microvinificações e testes com variedades de países como Geórgia e Romênia. Um movimento que deve definir o futuro da tipicidade brasileira.
🌎 Internacionalização da marca e o futuro da Miolo
A compra da Renascer em Mendoza marca uma nova fase: agora o foco é transformar a Miolo em player multinacional, levando vinho brasileiro ao mundo e trazendo Argentina para dentro do Brasil.