Contorcer-se sobre si mesmo e levar as mãos ao peito, um nó profundo, um punho fechado (é sempre um punho fechado) ocupa o ar do externo. É um objecto estranho, um parasita volumoso, está lá dentro a empurrar o peito para fora — levas as mãos ao peito e arredondas as costas, queres gritar mas não consegues, ou não podes. Não tens boca nem tens dedos. Só te contorces e aguentas o teu âmago. Fora de ti, nada muda, a vida continua, as pessoas andam, os carros correm, o dinheiro gasta-se, o lixo acumula-se, o dinheiro gasta-se, a humidade escorre, o dinheiro gasta-se.