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Todos nós estamos bem conscientes sobre as consequências do uso de redes sociais para crianças e adolescentes. Mas, e a SUA relação com as redes sociais, como ela te influencia e se reflete na sua família e nos seus relacionamentos?
Quem já não se viu em uma roda de amigos, conhecidos, ou mesmo em família, com todos de olho na tela do celular? Cena comum, neh? Que pode acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar e contexto, nos dias atuais.
Verdade seja dita: o celular serve tanto para a nossa conexão quanto para a nossa desconexão. Se o utilizamos bem, são diversos os benefícios! Se nos tornamos inseparáveis dele, não tem como negar: haverá danos.
Ainda que você me diga que só usa o celular para o trabalho, manter-se alerta à mensagens, emails e monitoramento do que quer que seja, exaure qualquer um!
É que conexão digital pode, sim, gerar desconexão real.
ATENÇÃO!
É bem verdade que, ao longo do ano, trouxemos até você muitas informações sobre redes sociais e internet. Então, porque falar disso novamente??
Por que:
* Nós, adultos, precisamos compreender que não estamos imunes aos danos que a vida digital gera; e isso transborda para os nossos relacionamentos familiares.
* Apesar dos alertas, informações e dados reais sobre o tema, infelizmente, a grande maioria de nós ainda acredita ser imune aos seus danos.
* Sem a nossa conscientização, a maioria das crianças e adolescentes continuarão a ter acesso a uma vida digital precoce com seus riscos iminentes.
A VIDA DIGITAL DO ADULTO
Redes sociais até parecem inofensivas para nós, adultos. Contudo, não são. Claro que há pontos positivos e a forma como as utilizamos fará total diferença.
Sabemos que a exposição digital afeta a forma como as pessoas nos veem, nos avaliam, e por isso utilizamos redes sociais até como forma de construção de imagem profissional. O que postamos, escrevemos e compartilhamos conduz a forma que desejamos que as pessoas nos vejam e como nos comunicamos com elas.
Por outro lado, independente da forma como eu e você consumimos redes sociais, mergulhamos em um ambiente onde TUDO tem como objetivo nos dar informações rápidas e apelativas à nossa atenção. O algoritmo foi criado para isso, e cumpre muito bem o seu papel.
Já nos habituamos tanto com isso que agimos como o fumante, que sabe que fumar faz mal mas nem se importa. Seguimos condicionando nossa mente à busca por dopamina barata, exercitando a redução da nossa capacidade de atenção e promovendo multitarefas superficiais - que é o que acontece quando rolamos a tela mudando os temas de conteúdo rapidamente e o tempo todo. Sem falar em que usa tudo ao mesmo tempo.
O resultado?
Estamos remodelando nossos hábitos cognitivos e a forma como vemos o mundo.
É SÉRIO ESSE BILHETE
Ah, mas que exagero! Será mesmo?
Em 2019, duas pesquisas bem interessantes comprovaram que quando jovens ou adultos param de usar redes sociais, eis o que acontece:
* As pessoas se sentem mais felizes, mais satisfeitas com sua vida e com menos depressão e ansiedade( Estudo Stanford & NYU, 2019).
* Há até uma redução na divisão de opiniões com relação às questões políticas – sim, cai a polarização - ou melhor, aumenta nossa disposição em entender o outro lado e isso significa aumentar nossa capacidade de dialogar com os diferentes ( Universidade A&M, Texas).
Se nós, adultos, somos vulneráveis a condução de um algoritmo e ao nos distanciarmos dele ganhamos todos esses benefícios, imagine o que significa para a saúde mental de uma criança ou adolescente o uso contínuo de redes sociais.
OUTRO BOM EXEMPLO
Plataformas de vídeo de formato curto, como TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts, são agora uma parte importante da vida diária de muitas pessoas. O estudo “Feeds, Sentimentos e Foco: Uma Revisão Sistemática e Meta-Análise Examinando as Correlações da Saúde Cognitiva e Mental do Uso de Vídeo de Formato Curto”, incluiu dados de mais de 98 mil participantes jovens e adultos, de 71 estudos diferentes e foi publicado pela American Psychological Association (APA). Ele confirma:
A exposição repetida a conteúdos altamente estimulantes e acelerados, ao longo do tempo, tem a capacidade de nos tornar insensíveis às tarefas cognitivas mais lentas e extenuantes - como leitura, resolução de problemas ou aprendizado profundo. Esse processo pode reduzir gradualmente a resistência cognitiva e enfraquecer a capacidade do cérebro de manter a atenção em uma única tarefa.
Quanto à saúde mental, constatou-se a relação entre o uso contínuo dessas plataformas e o aumento dos sintomas de depressão, ansiedade, estresse e solidão.
Portanto, um maior envolvimento com essas plataformas está associado a uma pior saúde cognitiva e mental em jovens e adultos.
DIANTE DESSES FATOS
Vou te lançar algumas perguntas para a sua auto avaliação.
Considerando a sua vida e estilo de consumo digital, responda:
* Como vai sua capacidade de concentração e memória hoje?
* Você sente dificuldade em permanecer concentrado em tarefas que exigem foco, como ler um livro ou ver um filme completo,sem necessidade de verificar o celular ou alternar para outra tela?
* Quantas vezes por dia, em média, você desbloqueia seu celular, e qual é o principal gatilho para isso (notificação, hábito, tédio, ansiedade)?
* Atuando de forma multitarefa, você normalmente pega no celular para responder mensagens em meio a conversas com outras pessoas, reuniões e momentos especiais em família?
* Você já parou para avaliar como as redes sociais - e isso inclui o WhatsApp - tem afetado diretamente a sua atenção e foco?
* Quanto de você acredita que o uso diário e contínuo de redes sociais tem gerado uma pior saúde cognitiva e mental para você?
TUDO COMEÇA EM CASA
A imensa maioria das crianças acessa internet e redes sociais pela primeira vez dentro de casa e isso acontece em idades muito precoces - 24% delas acessam antes dos 6 anos. Isso geralmente acontece através dos dispositivos dos pais.
Se eu e você, adultos que somos, precisamos utilizar redes sociais de forma moderada e consciente para fazer bom uso - o que inclui nos manter alertas as entregas do algoritmo, narrativas, mensagens de estranhos, conteúdo violento, grotesco e por aí vai - francamente: como podemos esperar que uma criança ou adolescente tenha a maturidade necessária para isso?
Que tipo de educação temos dado sobre isso antes de lhes entregar um celular em mãos? Quem recebe tem idade suficiente para entender o que vai encontrar ali? Está pronto para reconhecer os riscos que envolvem o uso disso tudo?
Segundo o levantamento realizado em 2024 pela TIC Kids Online Brasil, 93% da população de 9 a 17 anos no Brasil usa a internet. Destes:
* 98% acessam pelo celular, mas só 37% acessam pelo computador;
* 71% usam o WhatsApp todos os dias ou quase todos os dias – o índice é de 66% para o YouTube, 60% para o Instagram e 50% para o TikTok;
* 30% já tiveram contato pela internet com alguém que não conheciam pessoalmente;
* No grupo de 11 a 17 anos, 24% tentaram passar menos tempo na internet, mas não conseguiram;
* Na mesma faixa etária, 22% relataram que, por conta do uso excessivo de internet, passaram menos tempo com família, amigos ou fazendo lição de casa.
Acesse aqui a matéria completa.
O telefone, ao nos dar o mundo na palma da mão, primeiro facilitou nossa comunicação, depois fomos nós que nos tornamos reféns de uma comunicação que nos tira da conexão real e nos envolve ativamente na digital.
O celular não é o culpado de tudo, ele é uma ferramenta que ampliou nossa desconexão familiar e social. Desconexão gera solidão, insegurança, medo de revelar vergonhas e pedir ajuda.
Hoje, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a solidão virou uma doença real, uma epidemia crescente, e a faixa etária que mais cresce é a dos 13 aos 17 anos.
AJUSTANDO A LENTE
Se estamos conscientes de que o objetivo do algoritmo é nos segurar ali o máximo de tempo possível, que ele afeta a nossa percepção de mundo e nos causa, no mínimo, real perda de concentração e foco, como, em sã consciência, podemos consentir que crianças acessem redes sociais?
Reflita: se damos mais atenção às mensagens do WhatsApp do que a quem está ao nosso lado, o que estamos comunicando?
Quando mentes em formação, com identidades e sentimentos ainda em construção, não se sentem vistas, ouvidas ou amadas, se tornam carentes de atenção e solitárias. Vulneráveis e buscando validação - muitas sem ainda nem saber o significado disso - se tornam presas fáceis em um vasto ambiente online repleto de predadores e experts em manipulação emocional.
E a exposição precoce? O que ela agrega? Qual vai ser o efeito dessa exposição daqui a 20, 30 anos? Especialistas já apontam para um conceito de demência digital, com aumento de doenças como Alzheimer, doença frontotemporal, dentre outras doenças neurodegenerativas devido a forma como isso afeta desde a formação cerebral até o gerenciamento emocional.
Dificuldade de aprendizagem, fragmentação da atenção, dificuldade de memória, dificuldade de aprendizagem, ansiedade, depressão, são alguns dos impactos já registrados no presente.
Mas, sabe o que é pior? É saber que quando uma pai ou mãe descobre que o problema chegou à sua casa, ele já estava lá há tempos.
SENDO BEM REALISTA
Nos indignamos com a série ADOLESCÊNCIA. Nos revoltamos quando o video do Felca nos apresentou a ADULTIZAÇÃO de forma didática. Conhecemos os riscos. Sabemos os danos.
Se sabemos, porque continuamos a permitir crianças acessando Discord, Roblox, tendo contas no Instagram, TikTok, navegando sozinhas no Youtube, dentre outros?
A RESPOSTA
Conexão real. Essa é a resposta para todos nós. Conexão gera confiança e segurança para pedidos de socorro quando algo não vai bem.
Contudo, não existe conexão real sem a construção diária de diálogo, afeto e tempo de qualidade. Dá trabalho. Exige esforço. Requer investimento de tempo, de atenção, de disposição para estar presente. Quando falta conexão, rachaduras relacionais acontecem. Quando elas surgem entre pais e filhos e não são restauradas a tempo, abrem rombos emocionais que geram quebras por gerações.
Nenhum tipo de controle parental garantirá a segurança de uma criança ou adolescente que busca por conexão, aprovação e pertencimento não encontrados dentro de casa. Há adultos que sequer sabem, mas buscam o mesmo no ambiente digital.
Minha sugestão?
Coloque como meta de vida investir em conexão real. Invista em reeducação digital. Seja intencional em criar limites, modere exposições, aprenda e ensine sobre riscos, privacidade e interações. Proporcione para você e sua família experiências que os aproxime e os conecte longe das telas.
Caso tenha dificuldades nesse sentido, escreva abaixo CONEXÃO e te entregaremos um conteúdo exclusivo sobre isso.
Considerar cada uma dessas perguntas, e refletir, ainda que rapidamente, sobre todas essas informações, na prática, exercita seu autoconhecimento e pensamento crítico.
Assim, nesses 10, quase 11 minutinhos de leitura - até aqui - você refletiu sobre um dos temas mais importantes da atualidade e como isso tem impactado a sua vida e o seu dia a dia familiar.
Caso queira compartilhar conosco sua opinião ou tirar dúvidas acerca desse tema, comente abaixo.
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Nos vemos em breve!
Até lá!