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Há algumas semanas eu circulava de carro pela Marginal Pinheiros quando me deparei com pessoas navegando de caiaque pelo rio que leva o mesmo nome. Claro que meu primeiro pensamento foi “que gente louca”, por mais que estivessem enfeitando a paisagem com suas roupas coloridas.

Cheguei mais perto e percebi que a louca era eu, de achar que um bando de gente iria passar o dia navegando de caiaque pelo Rio Pinheiros. Tratava-se de bonecos ali colocados pelo artista plástico Eduardo Srur, que decidiu reconstruir um cenário de algumas décadas atrás.

Hoje pela manhã, passando lentamente (óbvio) pela Marginal Pinheiros, vi novamente os navegadores coloridos. Achei a idéia muito legal, pois nos gera um sentimento de culpa e remorso e nos põe para pensar.

Aí fiquei pensando como seria se eles fossem mesmo gente. E se fosse verdade? Como seria passar pela Marginal Pinheiros ao lado de um rio limpo, bonito, agradável e ver pessoas ali nadando e navegando? Algumas pessoas já viram sim essa cena, mas eu já nasci com o rio doente. Meu coração se encheu de alegria ao imaginar essa cena.

Só que alguns metros à frente vejo um monte de caiaques juntos. “Bateram”, pensei. Dirigi um pouco mais e vi a verdade: os caiaques estavam todos encalhados em cima de uma montanha de lixo que transformava o rio em uma substância sólida. Ao lado e por cima deles, um bando de urubus.

A verdade não precisava ter se colocado à minha frente de maneira tão brutal em tão curto espaço de tempo. Doeu.

Lu Gerbovic
música de Milton Nascimento
voz do Nildo
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