O convidado desta semana é o Fernando Mendes, que segundo o próprio, é um designer e pensa como um.
O Fernando foi-me apresentado pela Sónia Fernandes,
convidada 57 do Falar Criativo, através de um email, onde me colocou em
contacto com ele. Combinado o dia e hora, lá me dirigi eu ao Cowork
Lisboa para fazer a entrevista, era fim do dia, e por essa mesma razão
se ouvem algumas pessoas a passar por nós e a dizer "até amanhã".
Tirando
o facto de saber que o Fernando era fundador do Cowork Lisboa, que era
designer, e dava aulas, pouco sabia da pessoa em questão. Sendo assim,
fui realmente disponível para ouvir, mais do que falar (algo que tento
sempre nas minhas conversas/entrevistas).
Falámos de muita coisa,
de criatividade, do que é isso da criatividade, do design, do "ser"
designer, mas admito que retive a questão do Fernando se assumir como um
preguiçoso, como algo profundo, e que me diz muito, por duas razões. A
primeira é que tendemos a criticar maneiras diferentes de abordar o
trabalho, a valorizar o ocupado, aquele que "nem tem tempo para se
coçar", o empreendedor que se levanta às 5 da manhã e se deita à
meia-noite. A segunda é que se ele é de facto preguiçoso e consegue
gerar valor, é porque usa de forma muito acertada, tipo sniper, onde
investir a sua energia e o seu tempo. Muitos de nós, nos quais me ainda
me incluo, somos poucos criteriosos onde, quando, e como usamos as
nossas capacidades, onde de melhor forma podemos acrescentar valor.
Temos a tendência de seguir uma to-do list abarrotada, acabar o dia a
sentirmo-nos falhados pois estamos cansados, e nem um décimo da lista
foi feito.
O Fernando na música por exemplo simplificou, devoto fã
dos Velvet Underground, diz que não precisa de ser fã de outras bandas,
aquilo que os Velvet e o Lou Reed fizeram "é tudo".
Simplificar, dizer não, para dizer Hell Yeah, àquilo que realmente importa para nós, e onde inequivocamente somos geradores de valor na nossa especificidade.
http://youtu.be/0cWzxJvgWc8