“Excelente álbum de estreia dessa nova banda brasileira. Alguém me indicou e eu entrei em contato com eles, através do site para adquirir o CD. Foi um tiro no escuro, já que eu nunca tinha ouvido falar neles, apesar de morarem perto de minha cidade. Valeu a pena. ‘The Gigsaw’ é um dos melhores CDs que eu ouvi esse ano e 2010 tem sido repleto de lançamentos excelentes, tanto velhos quanto novos. Então tinha que ser um material muito forte para me impressionar. A Sub Rosa conseguiu.
Eu não sei por que eles estão classificados como ‘crossover’, quando ‘eclectic prog’ teria sido bem mais adequado. Porque ecléticos eles certamente são! Há muitas influências na música deles: Pink Floyd nos primeiros anos (a mais forte e mais perceptível), Van Der Graaf Generator, Marillion, Renaissance, Eloy e passagens jazzísticas, uma guitarra funkeada aqui e acolá, krautrock, minimalismo e por aí vai. Por mais estranho que isso possa soar, funciona. De fato, eles já têm sua própria personalidade, e é por isso que fiquei tão absorto com o trabalho deles.
Como é de costume com todos os bons CDs de progressivo, foram necessárias algumas audições completas para curtir completamente este disco. Contudo, algumas partes são repletas de pura beleza desde a primeira vez que eu ouvi. Há um sabor de anos 70 ao longo de todo o disco. Gostei especialmente da alternância de vocais masculinos e femininos (mesmo que seu sotaque pesado possa incomodar algumas pessoas), ambos muito bem colocados, algo que é geralmente esquecido nesse estilo. As vozes aqui são tão boas quanto o tremendo trabalho instrumental. Eu amei os sons retrô de órgão Hammond, os solos de sintetizadores vintage e as linhas de guitarra muito bem trabalhadas (muito influenciadas por Latimer/Gilmour, mas muito diversificadas). Uma curiosidade interessante: Eles têm uma garota na bateria, Bárbara Laranjeira, o que é muito incomum no progressivo (e ela faz um bom trabalho, com um estilo que lembra o Nick Mason, do Floyd).
Não há sequer um único filler em todo o CD. Eu sempre o escuto do início ao fim, mesmo que eu ainda ache pessoalmente que a primeira faixa não foi a melhor escolha para abrir o disco. A produção é muito boa, no geral (o baixo fica um pouco alto demais, às vezes). O encarte, com a ficha técnica e as letras, é muito bom, também.
Destaques? Há muitos para mencionar. Apenas escute e escolha os seus. Há um monte de pequenas joias escondidas aqui. ‘The Gigsaw’ soa ao mesmo tempo familiar e novo, e isso é a base do charme deles.
Conclusão: Um álbum de estreia espetacular. A mistura eclética e a abordagem às vezes simples e minimalista de algumas melodias podem levar um tempinho para serem completamente apreciadas, mas o álbum tem uma coisa que falta na maioria dos novos lançamentos: Por mais variado que seja, tem um sentimento de unidade que lhe dá uma totalidade coerente. Com certeza não é perfeito é ainda faltam algumas arestas para acertar no futuro. Mas ainda assim é uma abertura notável para um ato desconhecido. Muito promissor, sem dúvida.”