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Uma análise sobre o por quê de ser importante discutir e pensar o ioga como um novo fenômeno social brasileiro. Pouco se escreve sobre o ioga fora do âmbito da cura e terapia de doenças. Isso reflete uma parcela da população urbana das grandes metrópoles brasileiras descrentes ao sistema de saúde alopático e que vem construindo sentidos de vida pautados nos ensinamentos ioguicos. As escrituras do ioga, por outro lado, foram escritas por homens (gostaria de dizer também mulheres, mas não existem) que estabeleceram comunicação direta com o mundo espiritual (místicos: os que têm acesso ao mundo suprassensível direto, sem intermediários). Estes textos são, dessa forma, "perfeitos em si mesmos" pois são advindos de um "outro mundo" (sempre mais elevado que este, mesmo que na imanência). O ioga, assim, não pode ser considerado filosofia ou ciência pelo simples fato que o saber destes são verdades de homens e mulheres, portanto, falíveis e imperfeitas em si mesmas. Qualquer discurso místico ou espiritual é infalível e faz parte do saber religioso. É como perguntar: Xingar alguém é ético? A resposta sempre será: Sim, é ético, pois faz parte do conhecimento da Ética, compreende? Pensar o conhecimento do ioga como científico ou filosófico é colocá-lo em um patamar reducionista, aonde, por exemplo, toda a sua fisiologia "sutil" (prana, chackra, kundalini...) desapareceriam, pois a ciência e a filosofia (exceto as dualistas que embasam as religiões) pensam a partir do mundo sensível. Assim, perguntar se o conhecimento ioguico é místico, espiritual ou religioso é redundante, pois o conhecimento da mística e do espiritual compõem objeto de investigação a quem estuda Religião, assim como os valores do certo e o errado (moral) a quem estuda Ética. Ficou claro? O podcast aqui versa sobre esses assuntos.