Converso aqui sobre 3 conceitos sociais aplicados ao yoga: campo social, agentes sociais e capital simbólico. Busco de forma sucinta ampliar a discussão atrofiada ente yogis brasileiros de sua atuação social.
O yogi atua como político, e por isso exorta suas distinções sociais de bramane e discípulo deste ou daquele mestre? É um empresário/coach, e assim se destaca pelo maior número de alunos/devotos e valor que cobra por seus serviços? Ou demonstra comportamento de um acadêmico/cientista, desta feita deve se orgulhar da grandeza de sua erudição em recitar sutras em sânscrito ou discursar retoricamente sobre a filosofia ioguica?
Defendo o retorno do conceito de Religião ao yoga. O de religião, entretanto, no substantivo (com "R" maíusculo) e não como adjetivo; quando se diz religião hinduísta, espírita ou egípcia se refere a instituições religiosas e não é disso que discorro.
Defendo compreender o yoga como uma Religião, pois só assim teremos clara compreensão de qual campo social seus agentes atuam e, sobretudo, qual capital simbólico se almeja. Enquanto o campo social político o "troféu" é o cargo político que se ocupa (sou brâmane, tenho nome iniciático X), o economico o quanto se fatura (tal professor de yoga possui 4 escolas de yoga, é um sucesso!), e o acadêmico o título erudito que se conquistou (vim agora da Índia e estudei com renomados swamis indianos); o campo social religioso do yoga o qual defendo enquadrar, por outro lado, o capital simbólico em busca é o da ética de uma vida humilde a uma Grandeza intangível (seja Deus, Nirvana, Kaivalya, Ishvara, Braman ou Vazio). Esse "troféu" é impossível pendurar na parede, sendo assim, é indiferente do nome que se dê, pois o iogue religioso (pouco popular hoje em dia) visa peregrinar sobre a senda que eleva o seu espírito.
Qualquer discussão a partir daqui, como por exemplo, o que é Deus ou qual o melhor caminho a se seguir espiritualmente, foge do campo social religioso (como substantivo, da acepção etimológica de Religião - seja religare, religio e etc) e adentra ao da políticagem, do academicismo, o da economia vale-tudo para ter-se mais. O yogi se compreendendo como religioso se preocupará mais em vivenciar o quarto capítulo de Patanjali, o Tattvabodhah ou O Caminho para Deus de Hermógenes do que despender tempo em maltratar outras linhas de yoga que não gosta ou maldizer colegas.
Ah, mas declarando-se religioso o yogi perde alunos! Não, perde-se clientes, por isso ganhará menos dinheiro sem dúvidas, mas ganhará mais liberdade para se praticar Yoga e menos com o administração de uma empresa e venda de camisetas, mats e cd's de shows de mantra. Se ninguém ainda te disse vou falar agora: yoga não é um caminho para ficar rico financeiramente mas do engrandecimento da alma.