Salve, salve mundo do conhecimento! Bom dia, boa tarde, boa noite. Esse é mais um podcast do Medicina do Conhecimento. Ciência e informação a qualquer momento, em todo lugar. Eu sou Pablo Gusman, o Anestesiador. E como compartilhar é multiplicar seguimos com o podcast sobre radiação na sala operatória.
Aplicações médicas representam a principal fonte de exposição artificial da população mundial às radiações ionizantes. O National Council on Radiation Protection and Measurements estima que a exposição à radiação para a produção de imagens médicas aumentou em 600% entre 1980 e 2006.
Nos últimos 30 anos, o uso de fluoroscopia ganhou papel fundamental na prática médica, com aumento dos riscos ocupacionais em diversas especialidades. A preocupação com riscos ocupacionais relacionados à radiação envolve anestesistas, cardiologistas intervencionistas, cirurgiões vasculares, ortopedistas, urologistas e outros médicos que atuam com fluoroscopia. Além disto, toda equipe de apoio médico envolvida nestes procedimentos pode sofrer os danos relacionados à exposição. Apesar dos processos educativos e avanços tecnológicos terem diminuído a exposição à radiação, centros com grande movimento cirúrgico podem estar ultrapassando o limite aceitável. E de forma rotineira não se realizam as três regras básica de proteção: menor tempo de exposição à fluoroscopia, maior distância da fonte e uso de equipamentos de proteção.
Em recente pesquisa sobre avaliação do uso de equipamentos de proteção individual contra radiação, evidenciamos que a totalidade dos entrevistados da especialidade anestesiologia se expõem à radiação durante seus procedimentos anestésicos, alguns menos de uma vez por mês, mas a maioria até uma vez por semana. Os participantes relataram utilizar o avental de chumbo sempre em apenas 43% das respostas, sendo mais comum entre os médicos acima de 50 anos e raramente ou nunca em 15%, considerando todas as idades. A utilização de óculos de chumbo e luvas de chumbo raramente e nunca utilizados em 95% das respostas. Os principais motivos ao não uso se devem ao fato das roupas de proteção não serem ergonômicas e não são práticas ou pela ausência de material disponível, segundo os entrevistados.
Comparando-se por especialidade e profissão, os profissionais descritos como uso de dosímetros na maioria das vezes ou sempre se restringiram à enfermagem e técnicos de radiologia, sendo comum o uso raro ou nunca para a maioria dos profissionais médicos. O motivo informado foi por não disporem ou não saberem onde conseguir o dispositivo para dosagem contínua da radiação.
O uso das radiações ionizantes acarreta riscos, que, contudo, justificam-se em procedimentos diagnósticos e terapêuticos. A consciência e o conhecimento desses riscos minimizam o dano, otimizando a qualidade das imagens e o uso seguro das radiações ionizantes.
Em geral, deve-se insistir na educação e na capacitação dos profissionais e da sociedade. É necessário que o ensino da proteção radiológica seja introduzido já no nível da graduação nas faculdades de Medicina e serem mais frequentes na residência médica. Os hospitais também deveriam disponibilizar cursos sistemáticos para proteção radiológica do seu corpo clínico.
Um dos objetivos da proteção radiológica é evitar o uso desnecessário da radiação ionizante, justificando adequadamente cada procedimento. Esse princípio estabelece que a exposição à radiação deve produzir um benefício suficiente para compensar o dano que a radiação possa causar.
Todos os indivíduos que participam do procedimento intervencionista devem dispor dos elementos de proteção pessoal. Não há dose segura de exposição à radiação, já que mesmo em doses baixas impõem risco de manifestações estocásticas podendo gerar o câncer. Portanto a maneira mais segura de prevenção é minimizar a exposição para o mínimo possível.
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Afinal compartilhar é multiplicar!