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Talvez seja um clichê, e todos os anos caímos na tentação de dizer a mesma coisa, mas acredito convictamente que a música portuguesa está a viver uma era de ouro. Pelo menos, não tenho memória de uma outra época em que o saldo entre quantidade e qualidade fosse tão positivo.

A cada ano que passa, aparecem mais e mais projectos novos - sejam bandas ou artistas a solo - vibrantes e criativos, que não se limitam a repetir modas e tendências e têm uma voz muito própria. Isto também acontece graças aos novos meios de produção e de difusão, com uma série de novas agências e editoras, que garantem maneira de fazer chegar toda a música a todos os ouvidos - e há muitos gostos distintos, muitos nichos e correntes e, em cada um deles, há artistas com quem o público se identifica.

Isto, mais ainda em tempo de sobrecarga de informação e livre acesso, leva naturalmente a uma dispersão, sendo já poucos os artistas ou géneros avassaladores, que conquistem toda a gente. Mas a verdade é que há cada vez mais gente a ouvir música portuguesa e há uma busca crescente por música cantada em português. Prova disso, no nosso top 20 discos favoritos do ano, apenas 5 são assumidamente em inglês. Há uns anos, a proporção seria inversa.

Para concluir, resta apenas refutar mais uma vez os relatos, claramente exagerados, da morte do rock. Na listagem que se segue, comprovamos que a música de guitarras continua a mexer com muita gente. Nesta lista, que reúne os votos de 25 membros da redacção Altamont, destacamos ainda cantautores, fadistas a dar novas cores à canção nacional, electro-shock sofisticado, canção de intervenção e uma colaboração inesperada.