Listen

Description

Imagine a cena com calma.

Um pai estava na garagem, trocando o óleo do carro.

O filho observava tudo de perto.

Em determinado momento, o pai precisou se afastar por alguns instantes.

E aí, como toda criança curiosa, o menino viu um balde com óleo embaixo do carro.

Primeiro colocou a mão.

Depois a outra.

Começou a brincar, a bater, a espalhar.

Passou óleo nos braços.

No rosto.

No corpo inteiro.

Até ficar completamente lambuzado.

Num primeiro momento, parecia brincadeira.

Mas logo veio o desespero.

O óleo não saía.

Quanto mais ele tentava se limpar, mais se sujava.

A sensação de erro foi crescendo.

A vergonha também.

Ele correu para o banheiro, trancou a porta e tentou se limpar de todo jeito.

Água, toalha, papel…

Nada funcionava.

Então vieram as lágrimas.

E junto delas, o medo da reação do pai.

Mesmo assim, chorando, ele começou a chamar.

O pai ouviu.

Aproximou-se da porta.

Do outro lado, não veio bronca.

Veio uma voz calma:

— Abre a porta.

O menino hesitou…

mas abriu.

O pai olhou para a bagunça.

Depois olhou para o filho.

E em vez de julgamento, sorriu com ternura e disse:

— Parece que você teve uma pequena batalha por aqui.

Acho que vamos precisar de algo mais forte para limpar isso.

E começou a ajudá-lo.

Às vezes, é só isso que a gente precisa.

Não de alguém que aponte o erro,

mas de alguém que permaneça quando erramos

e nos ajude a limpar o que sozinhos não conseguimos.

É curioso como fomos treinados a celebrar o outro nas vitórias.

Mas é na queda que mais precisamos de presença.

Talvez por isso tanta gente tente lidar sozinha com as próprias sujeiras da vida.

E quanto mais tenta, mais se machuca… mais se culpa… mais se perde.

Como o menino.

Criamos a ideia de que deveríamos ser perfeitos.

Mas isso mata a autenticidade.

Porque autenticidade não é acertar sempre.

É ter coragem de abrir a porta quando erramos

e aceitar ajuda.

Se hoje você estiver carregando alguma sujeira antiga…

talvez não seja força que esteja faltando.

Talvez seja apenas alguém confiável do outro lado da porta.