
Essa é daquelas músicas marcantes, cuja audição faz explodir os sentimentos. Tinha certeza de que já havia ouvido essa canção em um filme, apoteótica. Estava certa: foi em “Os Deuses e Os Mortos”, do Ruy Guerra. Mas deve ter sido em qualquer outro filme daquela época, não lembro mais e não creio que em 71 tenha visto algum filme do Ruy Guerra!
Mas era daquelas músicas que mesmo em 73 deixaria seus tios apaixonados. Classificação essa que surgiu ali por 76, quando meu Tio Araújo passando pelo meu quarto ouviu ao longe, do disco TROPICÁLIA, o Hino de Nosso senhor do Bonfim e à seguir LINDONÉIA. A Tropicália ganhou ali um fã, ele gostou tanto que tive a incumbência de copiar numa fita as canções que ele havia gostado ( Batmacumba não estava incluída!)
Sobre ARMINA, fala Thiago Fernando Secco (http://tarkusblogprog.blogspot.com)
O maestro, arranjador e compositor Wagner Tiso formou no inicio dos anos 70, uma banda que tinha como objetivo inicial dar suporte aos shows do então “astro” mineiro Milton Nascimento. (A banda, aliás, foi formada a pedido do próprio Bituca).
Assim, despretensiosamente, tem inicio no Brasil um dos maiores nomes do gênero progressivo, ao lado de Som Nosso de Cada Dia, Mutantes, O Terço, Bacamarte e Casa das Máquinas.
O que era pra ser apenas uma banda “opening act”, ganha forma, corpo e o nome de Som Imaginário. O grupo, apesar de ter sido formado no Rio de Janeiro, contava basicamente com músicos mineiros e possuía a sonoridade que, entendo ser o alicerce principal do movimento “Clube da Esquina”.
Passaram pelo grupo alguns gênios da música nacional, como Wagner Tiso (teclados), Luís Alves (baixo), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão); fredera (guitarras), Zé Rodrix (teclados, voz e flauta), Laudir de Oliveira e Naná Vasconcelos (percussão), Nivaldo Ornelas (saxofone), Toninho Horta (guitarras), Noveli (baixo) e (ufa!) Paulo Braga (bateria).
Em 1973, gravam o LP "A Matança do Porco" que, pra muitos, é o álbum mais progressivo do grupo contendo canções de Wagner Tiso como "Armina" e a faixa-título, escrita originalmente para o filme "Os deuses e os mortos", de Ruy Guerra, que concorreu ao Festival de Berlim dois anos antes. O álbum conta com a participação especialíssima do próprio Milton Nascimento na faixa-título. De modo geral, acho uma obra completa. Há influencias de música popular brasileira da época, de jazz e do mais puro progressivo tupiniquim. Ainda em 1973, participaram do LP "Milagre dos peixes", do “padrinho” Milton Nascimento.
O grupo se desmancharia em meados dos anos 70, com cada integrante partindo para respectivos trabalhos solo. Destaque para Zé Rodrix, que ao lado de Sá e Guarabira, formariam uma espécie de Crosby, Stills and Nash brasileiro.
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A versão aqui é do disco WAGNER TISO - UM SOM IMAGINARIO 60 ANOS ( gravado ao vivo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 2005, com Nivaldo Ornellas, Toninho Horta, Robertinho Silva, Novelli, entre outros)