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O primeiro disco do Mombojó se chamava "Nadadenovo". Uma ironia, porque a banda de Recife, que se apresenta sábado no Tim Festival, é justamente uma das novidades mais agradáveis da atual geração, misturando rock, samba, jazz, eletrônica... Agora no novo CD, mais uma provocação. Na música de trabalho, eles cantam: "Não quero ser o mais vendido".

- Claro que queremos vender. O que a gente não deseja é vender a qualquer custo. A música tem que vir em primeiro lugar - explica o trompetista e violonista Marcello Campello.

A prova de que Campello, Felipe S. (voz), Marcelo Machado (guitarra), Vicente Machado (bateria), Samuel (baixo), Chiquinho (teclado e sampler) e Rafa (flauta) estão se despedindo da cena independente é a mudança para São Paulo, marcada para o ano que vem.

- Lá vai aumentar a possibilidade de circular pelo interior e ampliar nosso público - diz Campello.

Certos hábitos, porém, não se abandonam. "Homem-espuma" está sendo lançado pela gravadora Trama, mas, como o primeiro CD, pode ser baixado de graça no site (www.mombojo.com.br).

- A internet foi uma excelente ferramenta de divulgação que encontramos - opina Felipe S.

Graças à rede e ao boca-a-boca, que aumenta a cada show, nas apresentações do Mombojó é normal ver o público cantando junto todas as músicas. Nada que se compare - por enquanto - ao sucesso da Del Rey. Na bem-sucedida banda paralela, que ajuda a pagar as contas, o repertório é exclusivamente de covers de Roberto Carlos.

- Em Recife, o Mombojó se apresenta a cada seis meses. A Del Rey toca toda semana. Fazemos shows em aniversário de 15 anos, casamento, formatura... - conta Felipe.

A música que dá nome ao novo CD surgiu em 2004, depois de um grave acidente de carro quase tirar Marcello Campello de cena. "’Homem-espuma’ fala da efemeridade da vida. Num dia você está vivo. No outro, morre. Vira espuma. Meu acidente deixou todo mundo chocado. Felipe fez a música nesse clima. Eu me identifico muito com ela", diz Campello.

Constantemente comparado ao Los Hermanos, o Mombojó cultiva uma admiração artística e profissional pelos cariocas. "Eles estão bem sem forçar a barra. Nem todo mundo age assim. O D2, por exemplo, está crescendo. Mas eu já vi um show dele em São Paulo num lugar enorme em que só foram 400 pessoas. Isso é dar um passo maior do que a perna", alfineta Felipe S.

O Mombojó se apresenta, às 23h, no sábado, na Marina da Glória, abrindo para Patti Smith e Yeah Yeah Yeahs. O ingresso custa salgados R$120.

(por Herica Marmo do Jornal Extra/RJ)

Pra ouvir: O Mais Vendido
(Eu quase nunca coloco a faixa título, ou a mais tocada, aqui, mas aí vão meus desejos que esse show bombe!)