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Description

No fim do arco-íris
(Pierre Simões)
ISRC BRR200900019

Eb Cm Fm7

Quando eu era criança,
Bb Eb
Guri das Minas Gerais
Cm Fm7
A gente enchia a pança
Bb Eb
De arroz doce e tudo mais
Cm Fm7
De tarde quando chovia
Bb Eb
Refrescava o calorão
Cm Fm7
No morro aparecia
Bb Eb
Um arco-íris bonitão
Eb/G Ab
O povo sempre dizia
Bb/Ab Gm7
Com certeza e com razão
C7 Fm7
Um pote no fim havia
Bb Eb
Cheio de ouro, no chão.
Eb/G Am (b5)
Mas ninguém se atrevia
D7 Gm (b5)
Pegar o tesouro não
C7 Fm7
Todo mundo se tremia
Bb Eb
De arranjar só confusão
Eb Fm7
Sonhar alto era pecado
Bb Eb
Quanto mais pra ser barão
Cm Fm7
Vejam o Zé, mas que coitado!
Bb Eb
Ficou pobre desde então
Cm Fm7
Mas no fundo eu queria
Bb Eb
Ver de perto o tal quinhão
Cm Fm7
Mas disseram que eu teria
Bb Eb
Pelo padre, excomunhão.
Eb/G Ab
Com coragem e valentia
Bb/Ab Gm7
Fui pegar o dinheirão
C7 Fm7
Que bobagem, não existia,
Bb Eb
Um só grama, nem um tostão.
Eb/G Am (b5)
No lugar um anjo havia
D7 Gm (b5)
Com um baita sorrisão
C7 Fm7
Me falou como eu podia
Bb Eb
Conquistar o presentão
Eb Fm7
O tal pote existiria
Bb Eb
Só com uma condição
Cm Fm7
Se quiser ser rico um dia
Bb Eb
É mais que um bom coração
Cm Fm7
Vai ter que fazer as pazes
Bb Eb
Com o dinheiro e com o perdão
Cm Fm7
Afastar vícios vorazes
Bb Eb
Como culpa e depressão
Eb/G Ab
Assumir a própria vida
Bb/Ab Gm7
Ter por ela, gratidão.
C7 Fm7
O poder de escolha é tida,
Bb Eb
Como sábia decisão
Eb/G Am (b5)
O sucesso se aprende
D7 Gm (b5)
Com estudo e com ação
C7 Fm7
A riqueza só depende
Bb Eb
De você com ambição.

Canção registrada na Biblioteca Demonstrativa de Brasília
Fundação Biblioteca Nacional
Ministério da Cultura

Canções para atrair dinheiro e felicidade
Registro nº. 479694
Protocolo EDA/DF 2009 nº 1022
de 10 de novembro de 2009
http://www.bn.br

No fim do arco-íris

De tarde eu estava compondo uma das canções para este CD, quando caiu um toró daqueles de arrasa-quarteirão, com muitos trovões e relâmpagos, parecia o fim do mundo. Algum tempo depois aparece um solzão bonito e do lado oposto um imenso arco-íris como nunca havia visto, de tão bonito, todas as cores bem vivas, fazendo aquele arco de um lado pro outro, uma maravilha. Como canto na música, o povo lá em Minas dizia que havia um pote de ouro no fim, mas que não era permitido pegar, pois era pecado. Nunca me esqueci desse fato e hoje compreendo porque algumas pessoas de bom coração não enriquecem. Essas pessoas são por demais religiosas e tomam os ensinamentos sagrados ao pé da letra. Muita gente se exime da responsabilidade que é e deve ser apenas sua. Atribuem a Deus e à Sua vontade pelas angústias e poucas alegrias que têm na vida, não se esforçando em nada para mudar. É “minha cruz”, o “meu carma” ou o “meu destino”, dizem. Se conformam em ser e viver como o “Senhor assim o desejou”, afinal de contas, “Ele é Onipotente, Onipresente, Onisciente e melhor do que nós sabe o que nos convém”. Nada mais ilusório. Adoro a história de um homem, cujo lema de vida era “Só Jesus salva!”. Então houve uma enchente na cidade onde morava e a água começou a inundar tudo. Veio uma canoa para resgatá-lo, mas apesar dos insistentes apelos dos amigos recusou-se a sair de casa, usando seu lema de vida. Depois veio uma lancha da defesa civil, e por fim um helicóptero do corpo de bombeiros, e ele ali firme como uma rocha “Jesus vai me salvar!” Por fim afogou-se e foi pro céu, se queixando com Jesus por ter sido abandonado na enchente. O Mestre retrucou que havia tentando sim salvá-lo, mandando uma canoa, uma lancha e um helicóptero, mas mesmo assim não o quis, fazer o que? O preceito que diz que “o rico não entra no céu” foi deturpado e obviamente mal interpretado pelas figuras afetivas de nossa formação como ser humano. A passagem bíblica do camelo e o furo da agulha se referiam apenas a uma imagem mística de como o homem deveria se comportar após a sua morte. Diziam os historiadores que nas cidades orientais antigas os portões eram fechados por volta de 18 horas. Os camelos que chegavam após esse horário, só entravam por um portãozinho bem pequeno, chamado de agulha, ao lado da cidade, de joelhos e sem a carga que traziam no lombo. Essa história sugeria que homem quando morresse, só entraria nos reino dos céus com humildade e se deixasse na terra suas riquezas. Dependendo da pessoa que contar essa passagem para seu filho ou aluno, poderá impregnar nele o pecado de ser rico e sabotar, ainda que inconscientemente, seu progresso profissional e financeiro. Não raro ainda são reforçadas com histórias pavorosas de como o Zé Fulano de Tal se atreveu a ganhar dinheiro e por isso se deu mal e quando morreu foi para o inferno. Não é difícil imaginar como deverá ser a vida financeira de uma pessoa atrelada com sentimento de culpa religiosa em relação a dinheiro.