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Description

[Intro – falado, quase sussurro]
Eles dizem que sem Deus tudo cai
Mas talvez só caia o medo
Talvez o resto fique

[Verso 1]
Café frio, noite longa, luz da rua na janela
Dizem: “sem Deus é vazio”, eu penso nela
Nessa ideia repetida, passada de geração
Fantasma herdado, travado na emoção

Não é que eu negue sentido, eu nego atalho
 Nego resposta pronta, nego baralho marcado
 Se o céu fica mudo, não é o fim da canção
 É só o começo honesto da criação

[Refrão – suave]
Não confunde silêncio com nada
Não confunde descrença com queda
Se Deus não fala, eu escuto melhor
O que a vida sussurra quando é só pó

Não confunde ateísmo com frio
 É só fogo sem mito antigo
 Se o universo não cuida de mim
 Eu cuido — e isso já diz tudo, enfim

[Verso 2 – Russell em tom íntimo]
Russell escreveu com a mão tremendo
Não de medo, mas de entendimento
O mundo não ama, não pune, não vê
Mesmo assim, ainda dá pra viver

Valor não vem do alto, vem do toque
 Vem do outro, do erro, do choque
 É frágil, eu sei, por isso é real
 Nada imposto, nada sobrenatural

[Verso 3 – Scopes, lembrança distante]
Um tribunal antigo, calor, suor
Medo de Darwin, medo do pior
“Se ensinar isso, tudo vai ruir”
Talvez ruísse só o jeito fácil de existir

Chamaram de niilismo, mas era lucidez
 Era tirar o véu, encarar a nudez
 Não sobrou vazio, sobrou decisão
 Sentido não cai pronto, nasce na mão

[Refrão – variação]
Não confunde ateísmo com fim
É só o começo sem roteiro ruim
Sem ameaça, sem céu pra pagar
Só o peso bonito de ter que escolher amar

Não confunde o caos com dor
 Às vezes é só espaço pra autor
 Se nada é dado, tudo é ensaio
 E isso, pra mim, já vale o raio

[Ponte – quase falado]
Einstein buscou ordem no fundo do espaço
Russell ficou aqui, passo a passo
Um quis sentido no cosmos inteiro
Outro fez sentido no gesto pequeno

[Outro – instrumental abrindo, última linha]
Se o universo é indiferente, tudo bem
Eu não sou
E isso já é sentido suficiente

Ateísmo em forma de música. Álbum completo.