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[Intro]
Eles dizem: sem Deus é vazio, é fim, é caos
Mas isso é medo vestido de argumento moral
Confundem descrença com abismo existencial
Espantalho antigo, truque retórico banal

[Verso 1 – O fantasma]
Quando eu digo “sou ateu”, já vem o diagnóstico
“Então nada faz sentido, teu mundo é necrológico”
Mentira repetida vira dogma emocional
Niilismo como ameaça, chantagem espiritual

Criaram o fantasma pra vender redenção
Primeiro o medo, depois a salvação
Se Deus cai, dizem, a ética desaba
Mas isso diz mais da fé do que da falta

[Verso 2 – Russell entra em cena]
Bertrand Russell no ringue, sem metafísica
Universo indiferente, verdade estatística
Não tem Pai no céu, nem juiz legislador
Mas tem lucidez, compaixão e valor

Ele não troca Deus por vazio existencial
Troca ilusão por ética sem tribunal
O sentido não é dado, é construção humana
Dignidade sem promessa, sem chama arcana

[Refrão]
Não confunda ateísmo com niilismo
Descrença não é desistir do sentido
Sem Deus não é nada, é responsabilidade
Criar valor no caos é maturidade

Não confunda ateísmo com niilismo
Não é desespero, é olhar despido
Se o cosmos é mudo, então escuta bem
A voz que responde é a gente também

[Verso 3 – Julgamento do Macaco]
Scopes no tribunal, Darwin no banco dos réus
Bryan grita: “Sem Gênesis, adeus valores seus!”
Ciência vira ameaça, evolução é pecado
“Se ensinar isso, o mundo tá condenado”

Mas moral não nasceu com decreto divino
Nasceu no convívio, no erro, no ensino
Darwin não matou sentido, só tirou o verniz
O medo era perder o monopólio do juiz

[Verso 4 – Einstein vs Russell]
Einstein ainda busca ordem no infinito
Um Deus sem rosto, cósmico, bonito
Russell diz: “Não preciso desse chão”
O sentido não cai do céu — nasce da ação

Um quer harmonia no tecido do real
Outro aceita o trágico sem apelo final
Não é fé contra razão, é outra divisão
Cosmos com sentido ou sentido na mão

[Refrão]
Não confunda ateísmo com niilismo
Descrença não é desistir do sentido
Sem Deus não é nada, é responsabilidade
Criar valor no caos é maturidade

Não confunda ateísmo com niilismo
Não é desespero, é olhar despido
Se o cosmos é mudo, então escuta bem
A voz que responde é a gente também

[Verso 5 – Linha final]
Se tua moral só vive com ameaça eterna
Talvez o problema não seja quem nega
Russell não promete céu, nem punição
Promete lucidez, coragem e compaixão

Niilismo é desculpa pra não encarar
Que sentido não vem pronto pra consumir e rezar
Ateísmo não rouba, ele devolve a chave
Do valor criado por quem sabe que é frágil

[Outro]
Sem Deus, sem medo
Sem medo, sem chantagem
Sem chantagem, ética adulta
Sem ilusão, coragem

Transformando grandes ideias em torno do ateísmo em forma de música. Estamos em um número grande de plataformas de podcast, procure na sua favorita. No Spotify, por motivos que não sei, não aparece, mas aparece em outras plataformas.

Lista, não excludente, sendo atualizada: