Uma história cheia da graça de Deus
Em geral, aquilo que é exaltado entre os homens é de pouco valor diante de Deus. Enquanto os homens se sentem superiores por se julgarem de “nobre nascimento”, na árvore genealógica do Rei da glória, encontramos um cenário surpreende no qual figuram pessoas insignificantes e pecadoras que, em termos humanos, poucos gostariam de ter sua herança familiar ligada a alguma delas.
Um aspecto interessante na genealogia de Jesus é a inclusão de quatro mulheres do Antigo Testamento: Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba. A inclusão dessas mulheres é curiosa porque, em primeiro lugar, segundo o costume da época, os nomes das mulheres geralmente não eram incluídos em registros genealógicos. Em segundo lugar, cada uma dessas mulheres tinha, na sua história, algo questionável de alguma forma. Gênesis, capítulo trinta e oito, nos informa que Tamar fez o papel de uma prostituta, a fim de enganar seu sogro, Judá, e ter filhos por meio dele. Raabe não apenas agiu como prostituta, mas era conhecida por sua vida moral indecente, como lemos no capítulo dois de Josué. Rute era uma estrangeira moabita. E os moabitas eram um povo idólatra que passou a existir devido a um ato incestuoso entre Ló e uma das suas filhas. Quanto a Bate-Seba, ela se notabilizou por ser a mulher com quem o rei Davi cometeu adultério.
Quando observamos essa incrível história familiar de Jesus, uma coisa salta aos olhos: a impressionante graça do SENHOR. Até pelas pessoas escolhidas para figurar na linhagem de Jesus, podemos perceber uma aplicação perfeita destas Suas palavras no Evangelho de Marcos: “Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores” (Mc 2:17). Jesus não nasceu em uma família de justos, pois, como nos diz o apóstolo Paulo em Romanos 3:10-12, “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. Portanto, desde que, espiritualmente, essa é a condição de todos os homens, Deus enviou Seu Filho para “buscar e salvar o perdido” (Lucas 19.10). E essa verdade pode ser vista até mesmo na árvore genealógica de Jesus.
É comum ouvirmos que o Natal é tempo de demonstrar amor. É verdade, desde que seja o autêntico amor que não encerra seu significado em um amontoado de palavras emotivas sem substância real. Natal é tempo de considerar e aceitar o amor de Deus em Cristo, disponível a todos os pecadores que, independente das suas histórias de pecado, estejam prontos para buscar o SENHOR enquanto se pode achar, como diz o profeta Isaías. Natal é tempo de lembrar-se da infinita graça do Deus eterno que “escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1Coríntios 1.28–29). Que, neste Natal, a compreensão da graça de Deus possa invadir sua alma, trazendo perdão e salvação.