🌾 A SEMENTE 481 (Segunda-feira, 26/04/2021)
Meditações no Evangelho de João (96): Procurando Outro Rei
Leitura Bíblica: João 19:12-16
Jenuan S. Lira
Tudo que os principais sacerdotes queriam era se livrar da presença incômoda de Jesus. E, para alcançar tal objetivo, eles estavam dispostos a tudo, inclusive a abrir mão do sonho de se libertarem do domínio de Roma. Desse modo, vendo que Pilatos estava amedrontado diante da autoridade do SENHOR, os judeus lançaram mão de um argumento que deixaria Pilatos sem opção: se ele mostrasse favor para com o Rei dos judeus, estaria rejeitando a autoridade de César. Por isso, disseram: “Se soltas a este, não és amigo de César! Todo aquele que se faz rei é contra César!”
Evidentemente, não era interessante para os judeus estar sob o domínio de César. Na verdade, o fato de não estarem politicamente livres fazia com que o território judeu estivesse constantemente às portas de uma revolução. Entretanto, se a declaração de simpatia a César era o meio para se verem livres da presença incômoda do Messias, os judeus estavam prontos a aclamar César como o rei de Israel.
Enredados no autoengano, os judeus pensavam que, se apagassem os traços da presença de Jesus em suas vidas, estariam alcançando a liberdade. Naturalmente, pensavam os judeus, era desagradável ser súdito de César, mas não tanto quanto servir a Jesus. Por essa razão, a única resposta que eles tinham para Pilatos era um o estrondoso grito: “Fora! Fora! Crucifica-o… Não temos rei, senão César.”
Apesar de toda a falsidade e a incoerência presentes nas palavras dos principais sacerdotes, uma lição podemos aprender: quando você pede que Jesus fique longe da sua vida, isso não significa que você se torna um ser autônomo, livre de qualquer autoridade. No caso do judeus, era Cristo ou César. Ou seja, de um modo ou de outro, eles teriam de se submeter a um rei.
O desejo enganoso da liberdade autônoma está presente no coração humano desde o Éden. Inconformados com a nossa condição de criaturas, queremos viver de modo independente, sem ter que dar satisfação ao Criador. É por isso que, em última análise, aqueles que negam a existência de Deus não o fazem compelidos por motivos racionais, senão por uma conveniência moral. Quando admitimos que existe um Deus soberano, poderoso, onisciente, onipresente, criador e sustentador de todas as coisas, necessariamente temos de reconhecer que Ele é a autoridade final sobre nós. Por esse motivo, um dia, perante Ele, todos se dobrarão a fim de prestar contas ao Juiz de toda a Terra. Infelizmente, por causa do pecado que em nós habita, não queremos estar submetidos a Deus, crendo que, longe d’Ele, seremos donos de nós mesmos.
A despeito do que pensamos e desejamos, a verdade é que o homem nunca está completamente livre. Se não queremos ser súditos do reino da luz, o seremos do reino das trevas; se não queremos a verdade, ficaremos presos à mentira; se não desejamos servir ao Deus do Céu, cairemos nas garras impiedosas do deus deste século, o qual, como diz o apóstolo Paulo em 2Coríntios 4:4, “cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.”
Os judeus optaram por César, e, por essa razão, Pilatos entregou Jesus para ser crucificado. No nosso caso, não estamos entre os que, literalmente, preferiram o imperador romano a Jesus. No entanto, a verdade permanece inalterada: se decidimos que Jesus deve ficar fora da nossa vida, estamos rejeitando Sua autoridade, e isso não nos deixa libertos, mas, cativos, sob o domínio de outro rei.
A liberdade não está em desprezar a autoridade do Rei Jesus. Longe d’Ele, ficaremos aprisionados nas cordas dos nossos pecados, dominados pelo príncipe deste mundo. Todavia, “se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36).