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Quando eu era só futuro
Prematuro, eu supus
Que no fim do túnel escuro
Haveria de ter luz
Saí com a cara e a coragem
Naquela iluminação
E ganhei uma passagem
Pra eterna viagem da imaginação

Eu uso e abuso do imaginário
Se necessário ou não

Minha mãe me disse: filho,
Um conselho eu lhe dou
Quem andou sempre no trilho
Veio o trem e atropelou
Quando eu fui embora de casa
Já sabia a lição
Descobri que a gente arrasa
Se voa nas asas da imaginação

Eu uso e abuso do imaginário
Se necessário ou não

Fui seguindo com carinho
Meu caminho de aprendiz
Foi assim que eu fiz meu ninho
E criei meus bacuris
A minha cara-metade
Na maior satisfação
Diz que a tal felicidade
Se faz, na verdade,
Com imaginação

Eu uso e abuso do imaginário
Se necessário ou não

Bate a chuva na janela
Penso nela sem querer
Nessa noite sem estrelas
Que poeta eu hei de ser?
Eu acho até engraçado
Colocar-me essa questão
Se o meu céu é estrelado
Do lado de dentro da imaginação

Eu uso e abuso do imaginário
Se necessário ou não

Essa vida dura pouco
Eu já vou pro beleléu
Vou virar anjo barroco
Muito louco lá no Céu
Meu coração se entusiasma
De pensar na situação
O papai aqui fantasma
Um ectoplasma da imaginação

Violão e teclado [piano, flautas, violão de 7]: Newton Carneiro / Bandolim: Roberto Araújo
Trompete: Nahor Gomes / Trombone: Sidnei A. Borgani / Violino: Ana Maria Oliveira
Percussão: Guelo / Arranjo de base: Irajá Menezes / Arranjo: Newton Carneiro