🌾 A SEMENTE 480 (Sexta-feira, 23/04/2021)Meditações no Evangelho de João (95): A Culpa Também é NossaLeitura Bíblica: João 19:1-11Jenuan S. LiraAo longo do Seu julgamento, em geral, Jesus guardou silêncio. Ele sabia que a sorte estava lançada, e pouco adiantaria, naquele ponto, tentar argumentar. Os acusadores, dominados pelo ódio mortal, haviam ultrapassado todos os limites da razoabilidade, de sorte que os ouvidos deles estavam fechados para qualquer pensamento que contrariasse o desejo dos seus corações. Na interação com Pilatos, Jesus também evitou a argumentação. No entanto, quando o governador romano O provocou dizendo que tinha autoridade tanto para soltá-l’O como para crucificá-l’O, Jesus rompeu o silêncio e disse: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem” (João 19:11).Não é difícil entender o que Jesus quis dizer ao afirmar que a fonte última da autoridade de Pilatos vinha “de cima”, isto é, de Deus. A parte enigmática, entretanto, são estas palavras que o SENHOR declarou: “… quem me entregou a ti maior pecado tem.” Jesus não está inocentando Pilatos, porém está dizendo que existe alguém sobre quem deveria recair maior peso de culpa pela injustiça que Ele estava sofrendo. Se o verbo “entregar” estivesse no plural, automaticamente deduziríamos que o SENHOR estava se referindo aos principais sacerdotes e aos fariseus, que eram os agentes imediatos da ação de entregar o SENHOR a Pilatos. Contudo, esse não é o caso, fazendo com que a ação da entrega deva ser creditada a um misterioso agente singular.A fim de identificar a quem Jesus se referia, algumas possibilidades têm sido levantadas. Há quem pense que o verbo “entregar” está no singular porque se refere a Judas. Porém, embora Judas tenha desempenhado parte importante na trama da traição do SENHOR, não foi ele quem entregou Jesus a Pilatos. Na realidade, Jesus estava sendo entregue pelas autoridades religiosas judaicas, representadas pelo sumo sacerdote Caifás. É por isso que Caifás também figura na lista das possibilidades, embora alguns achem que o verbo está no singular porque faz referência coletiva à nação judaica.Poderíamos argumentar com razão em favor de todas essas possibilidades. No entanto, o que não podemos esquecer é o fato de que, em última instância, o pecado precisa entrar nessa equação. Olhando por essa ótica, devemos ir além e adicionar mais uma possiblidade que explicaria as palavras do SENHOR.Em Romanos 4:25, está escrito que Jesus “… foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.” Curiosamente, Paulo usa nesse versículo o mesmo verbo que Jesus usou na sua resposta a Pilatos, isto é, o verbo “entregar”. Desse modo, embora Pilatos, Judas, Caifás e o todo o sinédrio devessem ser justamente incriminados pelo que fizeram contra o SENHOR, precisamos manter na memória o fato de que, onde quer que exista um pecador, ali está mais um agente que deve ser responsabilizado pela morte de Jesus.Se, como afirma a Palavra de Deus, a morte é o salário do pecado, Jesus não deveria ter morrido, pois Ele “não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (1Pedro 2:22). Assim, a morte do SENHOR só tem uma explicação: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” (1Coríntios 15:3). Não há problema em dividir a culpa pela morte do SENHOR com muitas pessoas, desde que, entre esses muitos, nós também estejamos inseridos. “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:5.)