“Relato das alucinações coletivas, quando o Brasil tomou Coca-Cola com LSD e entrou numa bad”. Sangue de Coca-Cola, romance de Roberto Drummond começa assim. O ano de 2020 começa assim. Ambos – carnavalizados - terminam. O desfecho do ano, no entanto, só se sabe que é o fim. Há uma lisergia coletiva: governo fazendo oposição ao governo. Boicote à própria agenda. Para com as falas do presidente, partido de base: repúdio. Para com os vetos, partido de oposição: endosso. Chantageado é chantagista e vice-versa. “Políciano” é mílicia, ou o contrário, não sei. “Versa-o-vice”, talvez. O boi voador sobre o Recife já foi enredo de carnaval: o Cordel da Galhofa Nacional. Algo como: “onde essa zorra vai parar? Eu tô sofrendo mas eu gozo no final. A São Clemente faz a gente acreditar... que no Brasil o que é sério é carnaval”. Falta máscara no mercado, então, por isso, elas não precisam cair. É espírito do tempo de cara limpa. A lógica do conflito mira a nova eleição. A lógica da mentira mira a guerra – regada a muita Coca-Cola - e a guerra tudo permite.