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A percussão como fio condutor entre ancestralidade, resistência e organização coletiva no Carnaval brasileiro.

O Carnaval brasileiro, mais que festa, é um território de resistência onde a percussão reafirma a ancestralidade africana e organiza corpos, memórias e identidades. Das baterias das escolas de samba aos blocos afro, os tambores ecoam tradições dos terreiros e de povos como os Iorubá, Ewe e Fon, transformando as ruas em espaços de afirmação cultural e enfrentamento ao apagamento histórico. Essa força rítmica, sustentada por instrumentos como atabaques, surdos e repiniques, mantém viva uma tecnologia de saberes que atravessa séculos. “Se tirar a música do carnaval, se tirar o povo preto do carnaval, não sobra absolutamente nada”, afirma Marilda Santana, professora titular do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia e criadora, gestora e curadora do projeto Troféu Caymmy.